terça-feira, 11 de março de 2008

Exploração Da Fé II



Por,

Pr. Saulo Rosa


“Profetas e poetas: Gregório de Matos Precisa Falar Contra a Exploração Da Fé Na Igreja Pós-Moderna.”

A Igreja comercializou-se, é fácil de se ouvir o inflamado discurso de câmbio celestial: Pague o seu carnê parcelado e receba bênçãos a vista. Assim como jesuítas e afins cambiavam exploração do povo nativo, por zona de conforto, assim, não menos diferente está o atual clérigo brasileiro.

Explora um povo simples, assalariado, ploretariado, filhos das classes operárias em sua maioria, que em grande quantidade são os crentes fies das Igrejas, eles são os que contribuem com seus megalomaníacos projetos, e em troca disso eles receberão muitas bênçãos. Bênçãos estas que muitas vezes nunca vão os permití-los pensar diferente, a interpretar a realidade com outros olhos, a saírem detrás de um balcão, a deixarem o macacão sujo, a deixarem de ser forçados a trabalhar horas a fio e receber o mínimo de um salário. A possuírem os lugares de destaque que tanto almejavam, pois fazem parte de uma pirâmide econômica, sem a base o que sustentará o teto?
Onde estão os profetas deste tempo quando vêem seu povo sendo escravizado novamente, nada fazem, nada falam? Onde estão as vozes dos pastores que exploram seu povo como empresas, e não clamam por justiça social? Onde estão os bispos, os jesuítas que deveriam não só ensinar ler as sagradas escrituras, mas também ensinar o jovem a gabaritar suas provas do vestibular para conquistarem uma vida quiçá mais digna? Onde?
Em seus discursos esses exploradores da fé dizem que a culpa dos males da nação é toda do diabo, que joga contra o bem humanidade por certo também o seja. Contudo, isso não retira a culpa do diabolos[1] instalado no sistema, que manipula desde de política à Igrejas, desde políticos a pastores. Esse diabolos sistêmico nasceu junto com a exploração, se enraizou, cresceu, se multiplicou e domina muitas mentes.
Mesmo sofrendo a tudo isso o povo não clama mais, pois como disse Eugene Peterson[2] foi acostumado a ser tratado como empresa, e quando não são tratados assim pensam que não estão sendo respeitados.
São águias, porém não sabem voar, pois foram domesticados no ambiente galináceo, e tem dentro de si um espírito de galinha. Não contestam a realidade, não conseguem interpretar as imposições a ponto de as sofrerem até as últimas conseqüências. Não se incomodam mais, se moram nos barracos, ou nos palácios, se estão sendo explorados na sua fé, não se importam mais, pois assim que foram educados desde a colonização.
Mas nessa terra ainda existem pessoas com espírito de Gregório, que não se calam diante da exploração mercadológica, consumistas, diabólica, utilitarista, imediatista, e muitos outros predicados, que é feita pelos pseudos pastores, ministros, bispos ou que quer que seja.

Profetas-poetas, que clamam pela sua nação, que tem fome e sede de justiça, que levantam alto a bandeira do amor cristão.


Chega de exploração! Somos Igreja Senhor, corpo de Cristo, não somos empresas, empregados, funcionários.


Liberdade já!

continua...
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[1] A palavra diabo está formada pela preposição grega dia que entre outros sentidos significa: contra e pelo verbo balo que significa: jogar. Por isso dizemos que o diabo é o nosso adversário, porque ele joga contra o nosso time.
[2] Peterson, Eugene. “A vocação Espiritual do Pastor. Redescobrindo o chamado ministerial”. São Paulo - SP. Editora: Mundo Cristão.

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